Temps en mouvement  2 hours 9 minutes

Durée  2 hours 20 minutes

Coordonnées 1296

Publié 22 janvier 2020

Recorded septembre 2019

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370 m
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1,8
3,6
7,12 km

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près de Lagoa das Furnas, Açores (Portugal)

Entremeado de nuvens brancas, o azul celeste vai refletindo paz nas águas de tons verdes esmeralda da lagoa.
Estacionamos já aqui, na margem oeste, que o momento não é de perder.
Bem cuidada, a margem limpa e ajardinada, convida ao passeio. A via pedonal indica o caminho. Cá vamos!...
Há beleza a rodear-nos por todos os lados mas os nossos olhos enchem-se com esta que se reflete nas calmas águas da lagoa. Calmos são também os nossos passos nesta vontade de usufruir de tudo e cada momento.
Um painel, com idade indefinida, em azulejo bem português, diz-nos que, não sendo muito funda, a Lagoa é grande em área - 176 ha. Se houver caminho a toda a volta vamos fazer um belo passeio.
Observando um ou outro peixe que salta na água damos conta que aqui e ali há um borbulhar entre a vegetação junto à margem. Lembramo-nos da velha lenda da lagoa que diz que as gentes que habitavam a aldeia submergida, ainda lá por baixo andam cozinhando. O vapor, que das panelas sai, vai emergindo das águas. Diz-se que estes vapores cheiram a pão de milho cozido. A distância não será suficientemente curta para me abrir o apetite da broa cozinhada nas profundezas do lago.
Com cuidado, procurando não tropeçar neste rendilhado de raízes, atravessamos um pequeno bosque de enormes Criptomerias para chegar ao parque de fumarolas. Esta é a maior cozinha de S. Miguel. Aqui já hoje se cozinhou o "Cozido das Furnas" para muita gente. As "covas" abertas aguardam as panelas que, amanhã, de madrugada ali serão colocadas e parmanecerão, por seis horas, a receber o calor desta terra viva, cozinhando legumes e carnes que por perto foram criados.
Passamos pelos caminhos protegidos sentindo, ouvindo e cheirando os "suspiros" vulcânicos vindos das profundezas.
Por sobre poldras de cimento, geometricamente espaçadas, atravessamos um ribeirinho que vai alimentando a Lagoa e entramos numa alameda, em terra batida, ladeada de gigantes árvores. As Criptomerias (cryptomeria japonica) que, nos disseram ontem, chegaram à ilha com o intuito de obter madeira para as caixas dos ananases de exportação, por cá ficaram e multiplicaram. São magistrais, colossais e belas. Crescem rapidamente mas podem viver milhares de anos (a Jomon Sugi e a Daio Sugi na China foram classificadas como tendo mais de 3.000 anos).
Passamos agora por galeria de bambus e ladeamos uma quinta murada com portas e belezas abertas a quem, para as apreciar, queira pagar. Hoje ficamo-nos pela beleza que, gratuitamente, abunda ao redor e no seio desta magnífica lagoa. Um "escultor lenhador" (Emmanuel Courtot) passou e foi dando forma e vida a velhos troncos que por aqui jaziam durante 3 festivais de Woodcarving promovidos pelo Centro de Monitorização e Investigação das Furnas. De um Gepeto feito à semelhança da sua criação a um primo do célebre Nessie, passando pelos pássaros, corujas e mochos, furão, sapo e garajau, até à sereia e o Gandalf, tudo o artista sonhou e converteu em arte.
Os parques de merendas, naturalmente relvados, são vários no contorno da margem. Têm paz e melodias trinadas pelas muitas aves canoras que esvoaçam ou saltitam por perto. Pelo canto tenho dificuldade em identificá-las, às vezes parece-me escutar o trinado do tentilhão, outras o gorgeio do pintassilgo e até um canário me pareceu ouvir, mas existem diferenças com aquelas a que estou habituado. Será que os pássaros também têm sotaque?...
Passamos pela "Estrelinha" de pau, que a real é difícil de ver, e aproveitamos um pendular balancé que, pendurado em grosso ramo de eucalipto, convida quem passa a sentar-se e usufruir de um momento repousante.
No verde relvado, um velho mocho, que o artista esculpiu, parece guardar a beleza que o rodeia.
Passamos agora pelo Centro de Monitorização e Investigação das Furnas. O edifício, de arquitectura contemporânea, vencedor do "Premio Internazionale Architecture di Pietra" e outras mais distinções, a mim, que sou leigo na arte arquitetónica e apenas sei olhar e apreciar com sentimentos simples e primários, não me agrada. Não me parece enquadrado nesta paisagem, no entanto, muitos dizem que a obra é admirável. Eu só fiquei admirado por não achar que o seja e estar à espera que, também para mim, o fosse. Não entramos por causa do adiantado da hora. Dizem que vale mesmo a pena. Paciência, fica para a próxima.
Passamos já de fronte à "Mata Jardim José do Canto". José do Canto, nome que conhecemos já por havermos passado em frente ao Jardim Botânico de Ponta Delgada que construiu e tem o seu nome, e que os micaelenses não esquecem, uns por ter sido um inovador na agricultura e legado botânico da ilha ( a propósito, parece que a ele se deve a introdução da Criptomeria em S. Miguel ), outros por ser benemérito e financiador de várias obras de solidariedade, pois José do Canto tinha aqui uma quinta com casa de veraneio. Nesta propriedade existe um edifício que, ao longe, vamos já apreciando. É a Capela de N.ª Sr.ª das Vitórias. Construída em estilo neogótico, aqui bem perto da Lagoa, foi promessa de fé de José do Canto, feita quando a sua esposa adoeceu gravemente.
Pena fica por não entrarmos na capela, mas pelo adiantado da hora já se encontra fechada. Sabemos que o seu interior é digno de visita pela arquitectura e vitrais. Paciência...
Continuamos bebendo tanta beleza neste espaço que havemos de ter cuidado na condução de regresso. É que a beleza também embriaga...
Bem, só mais um copo. É pró caminho!
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Na margem bem cuidada se inicia esta caminhada

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Extasiando o olhar sobre o belo lago

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À esquerda a Lagoa, à direita a floresta luxuriante

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As velhas árvores vão musgando

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O esplendor da lagoa

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Bendizendo o Criador vamos usufruindo da beleza desta paisagem

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O enquadramento perfeito

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Uma paleta divina

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Tudo se enquadra quando é belo

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Dados técnicos que não são visíveis a quem aprecia a beleza que nos absorve

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Um cântico de azul e verde em tons celestiais

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Sob um celeste azul o verde de tudo o que nos rodeia

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A água que borbulha fervente

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Um jardim que convida à meditação

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Junto das furnas vaporentas

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As furnas fumegantes

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A sereia guardadora de patos

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Onde se cozinha o Cozido das Furnas

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Outras vistas a 'cozinha'

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De volta à lagoa

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Convite ao lazer - parque de merendas

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Ao jeito de poldras

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A floresta das grandes Criptomedias

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Trabalho de artista lenhador

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Está aqui ao lado, não se esquece a Lagoa

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Vamos bebendo a paisagem

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Assim morrem as árvores, de pé.

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Furnie, o primo do Nessie habita aqui

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Um grilo de pau habita aqui também

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Túnel de bamboo

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Caminhando entre bambus

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Um local para tardes de Verão

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Tons de amarelo na lagoa

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Gaivotas repousando e a rã-verde silenciosa aguardando pelo mosquito

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A 'Estrelinha' de pau perto do velho eucalipto do balancé

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A beleza infinita que o velho mocho guarda

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A água refletindo o céu e os eucaliptos com as cores do inferno

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A Ermida de N.ª Sr.ª das Vitórias

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Mais Lagoa, mais beleza e mais paz

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Que mais dizer?...

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O labirinto

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À beira da estrada

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Despedindo-nos de tanta beleza

Commentaires

    You can or this trail