Temps en mouvement  2 hours 51 minutes

Durée  2 hours 56 minutes

Coordonnées 1999

Publié 22 février 2020

Recorded février 2020

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  • Easy to follow

     
  • Scenery

     
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10,93 km

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près de Reguengo do Fetal, Leiria (Portugal)

Em tarde amena não apeteceu fazer a "voltinha do costume" e viemos à Serra usufruir do ar puro e das belíssimas paisagens que daqui se disfrutam.
De rara beleza são estas Serras e vales; De rara beleza são as casinhas "semeadas" espalhadas por encostas solarengas nesta terra que reguenga foi e hoje pertence à plebe; De rara beleza são estes matos despinheirados que as chamas devoraram, poucos anos há que a lembrança mantém fresca a memória da tragédia.
Lá em baixo, a terra arada aguarda, ou guarda já, as sementes que na Primavera hão de medrar e no verão ser colhidas. As vinhas, em retângulos plantadas, sofreram a poda e, vistas daqui, com a terra se confundem. Serão na Primavera lagos de verde e no Outono paleta quente multicolor de pintor impressionista.
Cá vamos, serra acima, mirando o "monumento" da azulejaria portuguesa encomendado para publicitar um outro "monumento" da aviação civil mundial. Ambos "morreram" nas suas estruturas mas permanecem vivos na memória aqui plantada. Pena é que a tolice (ou estupidez) e ambição destruam a obra, arrancando azulejos quando se sabe ser a recuperação impossível.
Continuamos por um carreiro aberto há pouco mas já muito trilhado. Fica-nos à esquerda, lá em baixo, o Reguengo, que da Magueixa foi e hoje é do Fetal por força da Santa Mãe que à pastora ali apareceu. Ao longe o Alqueidão, espalhado sobre um cabeço e as faldas dele. Um pouco para a direita as Garruchas, Andreus e Barreira. Agora à nossa frente a Torre, que também era da Magueixa e que, não sendo a da igreja porque é nova, outra torre não existe que lhe tenha dado o nome. Diz-se que, em tempos remotos, ali houve uma que de magos seria e "magagia" ali fariam. De "magagia" a magueixa nada vai senão a nossa facilidade de fazer evoluir a mais rica língua da Europa.
Esta é a "terra das pedreiras". Desde tempos ancestrais que a pedra daqui extraída constrói monumentos. Colipo na era romana, castelo de Leiria no início da nacionalidade e Mosteiro de Santa Maria da Vitória depois da luta por manter essa nacionalidade.
De onde nos encontramos agora apreciamos o Valinho do Rei. Pela cor e qualidade da pedra, acreditamos que a maioria dos muros do Mosteiro aqui tenha tido a sua génese. Talvez por memória das gentes se soubesse que foram as pedras daqui saídas que ergueram os muros do castelo de Leiria e que antes teriam sustentado os telhados da cidade romana de Colipo. Talvez... Quem sabe?...
Chegámos a outro monumento: Pidiogo. Assim se chama esta abandonada pedreira de onde saíram também pesadas cargas que bois possantes arrastaram até onde se iam erguendo os monumentos. A "Pia do Diogo" ali continua, alimentada de água o ano inteiro. As marcas ancestrais da extração da Pedra vão desaparecendo. Permanecerá a memória dos homens?... Descrente continuo Serra acima. Uma beleza ímpar, ali perto dos meus pés, suscita-me a vontade de capturar essa beleza. É uma Barlia Roberteana esplendorosa. Outro monumento. Este de autoria divina.
Não sendo minha intenção partilhar este trilho, veio a Barlia provocar que o faça. Perdoe-me quem sentir que a modesta descrição feita até este ponto do caminho não é suficiente ilustração para despertar a vontade de o percorrer.
Chegamos agora à pedreira que alguém autorizado na história da região me disse chamar-se "Pedreira de Schaumitz". Teria sido um provável imigrante vindo dos Países Baixos a trabalhar na grandiosa empreitada, iniciada por El Rei D. João I, que vendo o bom negócio que seria, adquiriu a terra e minerou a pedra, que rústicamente trabalhada ali mesmo, era vendida com valor acrescentado. Pintam as paredes os traços em espinha dos longos picões que foram desenhados por horas a fio de intenso labor.
A derradeira pedreira desta nossa rota jaz à nossa frente ferida de morte. Sem pejo nem pudor nem respeito pela memória de um povo, alguém decidiu violar este património e estrair blocos de bom calcário provavelmente para exportar prá China. Valha-nos Deus.
E pronto... Chegámos.
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A Barlia Roberteana causadora da publicação

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Em direção ao Sol

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Afloramentos calcários

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subindo para o cume

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No cume...

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Panorâmicas cá de cima

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Por caminhos ancestrais

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A Pedreira dita de Schaumitz

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A máquina da luz

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Ferida de morte. Quem vê aqui uma das pedreiras monumentais?...

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As Barlias são numerosas por aqui

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O 'monumento'

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Flores do verde pino

1 comment

  • Photo de AliceLigeiro

    AliceLigeiro 31 mars 2020

    Trilho com paisagens muito bonitas.
    Pelo valor histórico das pedreiras deveria ser um trilho "oficial".

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