Temps en mouvement  une heure 33 minutes

Durée  une heure 41 minutes

Coordonnées 906

Publié 24 mars 2020

Recorded septembre 2019

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7,11 km

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près de Sete Cidades, Açores (Portugal)

Contemplámo-las do alto. O céu azul presenteou-nos com "Vista de Rei".
Aqui em baixo, a Ponte dos Regos, obra do engº paisagista belga J.J. Dumond, separa a combinação cromática da Lagoa das Sete Cidades. A norte a Lagoa Azul, reflete a cor do céu. A sul a Lagoa Verde deixa transparecer a cor esmeralda da flora subaquática. Duas numa só. Separadas pela bela ponte de sete arcos. Recordo um belíssimo comentário da Agência Espacial Europeia onde era apelidada de "Lagoa das Lágrimas".
Esta recordação e a magia do lugar transportou a imaginação para um dia chuvoso, em que a lareira é o cantinho da ternura e onde um avô contava aos netos, muito atentos, a lenda que pintou as cores que separam, visualmente, as duas lagoas, que nasceram unidas, como hoje as separa esta ponte.
Escutemo-lo:
- ...a bela princesa de olhos azuis, que amava a sua terra, nela, feliz se passeava todos os dias, colhendo flores, ouvindo pássaros, perseguindo borboletas saltitando feliz na relva dos campos...
- E depois, avô?... - perguntavam os netos.
- Um belo dia (pausa) a princesa encontrou um formoso pastor de olhos de esmeralda, sentado numa pedra, tocando flauta e sonhando sonhos simples como simples era a sua vida. Saudaram-se timidamente envergonhados. A princesa, sentindo o encanto do momento, sentou-se ali perto do pastor e... conversaram daquilo que amavam.
- E falavam de quê, avô?...
- Falavam da maravilha que era a terra onde viviam, falavam da ternura da gente simples que ali habitava, falavam da beleza do campo que os rodeava, falavam da cor do céu que os iluminava, falavam da mansidão dos animais que ali perto pastavam... enfim, falavam de todas as coisas que temos na nossa bela Ilha Verde.
- E depois, avô?... conta, conta...
- Os dois belos jovens todos os dias se foram encontrando. Conversavam, sorriam, olhavam-se com ternura enamorados e, a natureza, cúmplice daquele amor que ia nascendo entre os dois, abria os céus de luz sempre que os dois se encontravam e fechava-os de seguida em cerrado nevoeiro ou chuva repentina para, daí a pouco, os voltar a abrir...
- E a princesa casou com o pastor, avô?...
- Bem, um dia, o rei soube que a sua rica filha se encontrava com o pobre pastor e, zangado, proibiu que isso voltasse a acontecer. A princesinha, rogou, implorou, fez birra, disse que não queria ser mais princesa, que isto... que aquilo... mas o rei não alterou a sua decisão.
- E o que é que aconteceu depois?... eles encontravam-se na mesma, não era, avô?...
- Não, meus filhos. A princesa respeitava o pai e era obediente, por isso pediu ao pai para se encontrar só mais uma vez com o pastor para se despedirem e o rei permitiu. A princesa, triste de partir o coração, foi ter com o pastor e contou-lhe. Tristes, abraçaram-se e as lágrimas correram de seus olhos. Dos olhos muito azuís da princesa, as lágrimas da mesma cor, foram formando uma grande lagoa, a Lagoa Azul e...
- das lágrimas saída dos olhos verdes do pastor encheu-se a Lagoa Verde, não foi avô?...
E foi assim, saboreando a poesia da lenda da Lagoa das Lágrimas que, sem quase dar por isso, descemos de carro até aqui e começámos a andar, gozando da agradável temperatura e da esplêndida luminosidade, que um céu aberto e imensamente azul nos oferece. Andarão vagueando por aí as almas dos dois enamorados?...
À beirinha da belíssima Lagoa Verde, sem intenção prévia, fomos passeando. Olhamos o espelho esmeralda meditando na razão desta coloração. Lembro-me que fiquei surpreendido quando ontem li num blogue que esta coloração era devida à reflexão da flora que envolve a lagoa. Não me parece. A pouca profundidade e a eutrofização natural (a haver ações antrópicas só se for trazida pela água escorrida na parte superior da caldeira com excesso do adubamento das pastagens) faz com que o fundo esteja pleno de algas. Será a cor destas que se sobrepõem à reflexão do azul celeste. Esta é a minha ideia de pouco entendedor destas questões cromáticas.
Ali estão dois pescadores, eh pá, que grande peixe aquele pescou agora. Aproximámo-nos. Falam alemão. Como nem de alemão nem de peixes percebo muito (dos últimos, só no prato) não entabulamos conversa. Vimo-los medir o peixe, tirar-lhe o anzol e voltar a libertá-lo. Pensando no bizarro do comportamento humano vamos seguindo por este belo caminho à beira da água.
Damos por nós já num carreiro estreitinho mas bem trilhado, bem conservado, delicioso e... nesse momento, veio a decisão: vamos ver onde isto nos leva. Pode ser que dê a volta à Lagoa.
E assim foi. Subindo, descendo, atravessando pontes artesanais, subindo degraus feitos com troncos de árvore, apreciando a beleza deste belo lago, admirando a monumentalidade da vegetação por cima de nós, em suma: enchendo a alma de frescura, tons de esmeralda e retalhos de céu, demos a volta à Lagoa das Lágrimas do Pastor. Talvez sonhando, talvez contemplando, talvez meditando mas na certeza, porém, de que foi uma das mais belas caminhadas feitas até agora. Deus existe, e esta é a prova irrefutável do seu bom gosto e do seu amor a esta terra. Bem hajas, Senhor!
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Uma Lagoa Verde hoje com reflexos de azul

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Águas calmas refletindo o céu

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Deslumbram-se os olhos e enche-se a alma

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A Roca-de-Velha infesta as margens de amarelo

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Dos reflexos de azul ao verde dos limos

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Olhando as águas por entre as Criptomédias

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Caminhando no paraíso

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Por carreiro de sonho

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Passando pontes rústicas

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De verde transparente é a água

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Vencendo raízes

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Outra ponte desvendando a paisagem

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Por entre vegetação luxuriante

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Descendo ou subindo a paisagem é sempre deslumbrante

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O musgo avivando a cor da lagoa

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A beleza do lago é do carreiro por onde seguimos

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A luz reflete-se em tons de verde

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Cada passo é mais belo que o anterior

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Do verde lago ao celeste azul

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Capturando o sonho

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Em pleno paraíso

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O sonho mora aqui

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Beleza a cada passo

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O verde refletindo azul

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A senda do deslumbre

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Mais verde e mais azul

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Descendo...

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Passagens de encanto

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Sempre igual mas tão diferente

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Flores completando a beleza

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Mais um olhar ao verde lago

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Patos na margem

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Quase chegando

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A Lagoa azul do outro lado

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