Durée  3 hours 42 minutes

Coordonnées 1128

Uploaded 10 février 2019

Recorded février 2019

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11,22 km

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près de Rio Mau, Porto (Portugal)

TRILHO DO RIO E DAS FRAGAS
Voltamos, a convite de amigos, à freguesia de Rio Mau para realizar um percurso na margem do Rio Douro e Fragas da Abitoreira. Este trilho, de tipologia circular, não sinalizado, tem como fator principal o rio Douro…

O Rio Douro nasce em Espanha, na província de Sória, a 2160 metros de altitude, e atravessa o norte de Portugal e tem a sua foz na costa atlântica, na cidade do Porto. Tem 897 km de comprimento e é o terceiro rio mais extenso da península Ibérica. Desenvolve-se ao longo de 112 km de fronteira portuguesa e espanhola e de seguida 213 km em território nacional. A sua altitude média é de 700 metros. No início do seu curso é um rio largo e pouco caudaloso. De Zamora à sua foz, corre entre fraguedos em canais profundos. O forte declive do rio, as curvas apertadas, as rochas salientes, os caudais violentos, as múltiplas irregularidades, os rápidos e os inúmeros "saltos" ou "pontos" tornavam este rio indomável.

Aproveitando o elevado desnível, sobretudo na zona do Douro Internacional, onde o desnível médio é de 3m/km, a partir de 1961, foi levado a cabo o aproveitamento hidroelétrico do Douro. Com a construção das barragens, criaram-se grandes albufeiras de águas tranquilas, que vieram incentivar a navegação turística e recreativa, assim como a pesca desportiva. Excluindo-se os períodos de grandes cheias, pode dizer-se que o rio ficou domado definitivamente.

No troço nacional do Douro, a instalação de eclusas em paralelo com as barragens hidroelétricas permitiu a criação de um canal de navegação fluvio-marítima.
No seu curso, entre Bemposta e Picote, pode ser visto, nas suas águas espelhadas, tudo o que rodeia este ambiente: as nuvens, o sol, (que queima os olhos, refletido na água), os montes, as fragas, as aves (patos, garças, águias, abutres, gaivotas). Nas fragas mais altas podem ser vistas aves de rapina, guardando os seus ninhos.

Por outro lado, no rio, espécies indígenas, como o escalo, a enguia e a truta, têm sido dizimadas ou pela pesca à rede descontrolada e/ou pela modificação das condições ambientais (parte do ano estão perto do limite de resistência de algumas espécies). Após a construção da barragem, foi feita a introdução da carpa que, podendo atingir acima dos 20 kg, tem a propriedade de se alimentar de tudo, fazendo a limpeza das barragens mesmo em condições precárias de oxigenação das águas. Mais recentemente, surgiram o achigã, a perca, o lúcio e o lagostim-vermelho. Pode ainda encontrar-se, com abundância, a boga e o barbo e até mexilhão (idêntico ao do mar).
Nesta proximidade com o rio, a freguesia de Rio Mau, viveu em tempos da arte da pesca ribeirinha. Terra que foi de pescadores, antes da construção da barragem de Crestuma-Lever, uma das atividades principais desenvolvidas nesta freguesia duriense era a pesca do sável e da lampreia.

O topónimo Rio Mau deriva, sem dúvida, do ribeiro, algo avultado que ai mesmo desagua no Douro, nascido ao norte, no castrejo do Mosinho (significando aí Rio o mesmo que o latim rivu, não propriamente o curso de água notável, como hoje, mas um ribeiro ou riacho - prova da antiguidade da designação do local).

A história de Rio Mau é muito interessante. Participando do senhorio das estirpes dos padroeiros do não longínquo mosteiro de Paço de Sousa, foi, desde antes da nacionalidade, da paróquia de Santa Eulália de Pedorido, apesar de situada na parte oposta do rio, em frente, porém da igreja.

Por doações de cavaleiros e donos das estirpes, já no século XII possuia aqui haveres o mosteiro de Paço de Sousa. Na composição de 1235, entre o abade e a mesa conventual, foi cedido à oficina dita de Santa Maria, “in Rivulo Malo, unum casale”.

Em 1250, por comissão de D. Afonso III, os priores de Vila Boa de Quires e de Vilela e o juiz da terra de Aguiar deram sentença de não serem realengas as “herdades” do mosteiro em Rio Mau, adjudicando-as ao cavaleiro-fidalgo João Martins de Ataíde e seus irmãos e aos mosteiros de que eram herdeiros.

Alguns dos haveres do de Paço de Sousa provinham de doação feita, em 1143, por D. Elvira Peres. O tal casal “in Rivulo Malo” foi por certo doado, em 1161, por D. Soeiro Pais. Parece que este casal se situava na Torre, como se vê de um documento de 1740 e de um emprazamento feito em 1600 a André Soares pelo convento.

No princípio do século XIX, os habitantes do lugar de Rio Mau, separados do resto da freguesia pelo Douro, requerem à Coroa a inclusão de Rio Mau em Sebolido.

Em 1911 já Rio Mau era o lugar mais povoado da freguesia (126 fogos, 505 habitantes).
A principal atividade residia na pesca, que se fazia num vasto areal (hoje totalmente coberto pelas águas, por efeito da barragem de Crestuma-Lever), onde, desde janeiro até fins de maio, se empregavam mais de vinte barcos, à lampreia, ao sável, à tainha, ao mugem. A pescaria era feita com redes de arrastar. Nos restantes sete meses pescavam-se outras qualidades de peixe, agora com “travesilhos” ou à tarrafa (a que aqui chamam chumbeira). O peixe era vendido, algum para o Porto e a maior parte para as povoações rurais circunferentes.

Rio Mau é a mais nova freguesia do concelho de Penafiel. Adquiriu autonomia em 1 de janeiro de 1985. É hoje caracterizada pelo seu bairrismo dedicado à cultura e ao desporto.

DESCRIÇÃO DA TRILHA
Percurso circular, não sinalizado, de dificuldade média, com aproximadamente 12Kms, que percorre a margem direita do Rio Douro e as Fragas da Abitoreira, local de vistas magnificas sobre o Rio Douro e povoações vizinhas. Partindo da freguesia de Rio Mau, (Parque de Lazer), atravessamos a EN108 e seguimos pela Rua dos Cardais, Rua da Telheira e Rua da Arealva que acompanham a margem do Rio Douro. Continuamos por caminhos de terra e de pé posto ao longo da margem do rio, e entramos na freguesia de Sebolido, passando pelo seu Parque de Lazer junto ao rio.

O trilho segue maioritariamente junto à margem do rio Douro, aqui e ali afastamo-nos ligeiramente, mas regressamos rapidamente à margem… passando pelo lugar do Perdegal e Cancelos. Chegamos ao limite da freguesia de Sebolido com Canelas, aqui subimos ao longo do Ribeiro de Couce até ao Miradouro da EN108, onde podemos apreciar a beleza da deslumbrante cascata do Ribeiro de Couce e as panorâmicas do Rio Douro e de Terras de Paiva.

Fizemos uma pequena pausa para contemplar as magnificas panorâmicas, de seguida, andamos uns 100 metros pela EN108, para cortar à esquerda por estradão florestal em direção às Fragas da Abitoreira. Pouco depois saímos do estradão florestal para seguir um ingreme caminho de pé posto até ao Alto das Fragas da Abitoreira. Chegados ao alto, o caminho de pé posto desemboca num estradão florestal que seguimos ao longo das Fragas da Abitoreira, local de vistas magnificas sobre o Rio Douro e povoações vizinhas.

Continuando pelo estradão, começamos a avistar, à nossa esquerda e na cota inferior, o núcleo habitacional de Sebolido. Optamos por deixar o estradão e por caminho de pé posto começamos a descer a encosta em direção às primeiras casas da freguesia (Rua 5 de Outubro). Aqui, seguimos pela direita o estradão que nos levou à estação de tratamento de águas já na freguesia de Rio Mau. Agora foi seguir a Rua da Cavada e Rua das Corgas (existe uma fonte) que desemboca na Rua dos Justercos e nos leva de volta ao Parque de Lazer de Rio Mau, local de termino deste trilho.

FICHA TÉCNICA
Dia: 9 de fevereiro 2019
Percurso: Parque Lazer Rio Mau – Parque Lazer Sebolido – Cancelos – Miradouro EN108 – Fragas da Abitoreira – Sebolido – Parque Lazer Rio Mau
Distancia: 11,2 km
Duração: 3h43min
Tempo em movimento: 3h04min
Tempo parado: 0h39min
Movimento médio: 3,7kms/h
Acumulado positivo: 712m
Acumulado negativo: 708m



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A equipa Caminhantes

2 commentaires

  • Catarina Pinto 27 avr. 2019

    O percurso é muito bonito, mas não me parece que a dificuldade técnica indicada (fácil) esteja de todo adequada, visto que há troços a corta-mato, ribeiros para atravessar e fragas para escalar.

  • Photo de Caminhantes

    Caminhantes 27 avr. 2019

    Olá Catarina Pinto!
    Estamos de acordo com a observação sobre o grau de dificuldade do trilho. Na descrição da trilha falamos em dificuldade média... Mas efetivamente tínhamos fácil na classificação do wikiloc, vamos alterar.
    Obrigado pelo comentário.
    Boas caminhadas.

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